quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

"Salary Man" pra vocês. Desculpe o atraso.

Episódio de hoje: As Garotas do Calendário

O motel poderia ser porco, mas pelo menos faziam aquilo que a gente pedia pra fazer. Nove e meia, as batidas na porta. Não haviam telefones nos quartos. Era a moça daquele turno que pediu pra que eu acordasse.
Foi então que eu dei uma boa olhada no quarto do "Motel Cáucaso". A cama era casal mas não era muito incrementada. Abajures muito do vagabundo. Foi quando eu olhei para o travesseiro do lado e vi uma daquelas manchas. Amarela, escorrida, quase uma prova de caso de polícia. Mas ainda bem que, teoricamente, estava fora do alcance da minha boca. Pelo sim pelo não iria pegar uns AZT´s com o Wágner, um ex-colega que acabou caindo nessa maldita malha-fina.
A pia tinha aquelas coisas comuns de hotel - toalhinha, sabão descartável, uma escova de dentes para os viajantes dentro do pacote lacrado, além de um vidro de antisséptico bucal - além de um vidro de vaselina. Daí me lembrei dos dois caras, da garota, do travesti e do poodle e não pude deixar de rir daquilo tudo. O quarto ainda tinha uma televisão. Só passava filme de putaria.
Me arrumei e fui pro quarto ao lado, onde estava o gordo. Trancado.

- Alan, sou eu. Tá acordado?
- ... tô.
- Vambora, já são dez e meia da manhã.
- Espera só um pouco, estou me arrumando também.
- Caramba, não era você que queria ir embora jogo?
- Mas espera só um pouco....

Encostei do lado da porta e comecei a fumar um cigarro. Lá dentro, dava até pra ouvir os gemidos. Da garota do filme no cine-privê.
Já saquei tudo naquele momento. Aparentemente ele era rodado no assunto "ser flagrado enquanto alivia os estresse". Prometi a mim mesmo que, se aquele moleque não tomasse tenência até o fim daquela viagem, eu iria é dar um jeito com o meu amigo Aoki pra resolver a situação dele. Aoki, ou Carlos Eduardo Aoki, era dono de um puteiro de luxo na Zona Oeste de São Paulo. Shinjuku, o mesmo nome do Distrito da Luz Vermelha de Tóquio. As meninas era limpinhas, o preço era justo, não tinha o "flagrante" de sair do lugar com a menina... Mas, quem sabe ele não fosse ficando mais esperto por osmose, não?

Saímos de lá em vinte minutos, depois de pagar a conta. Quarenta reais por dois quartos. Realmente descobri o motivo de toda a raça de pervertido naquelas cercanias ir se refestelar naquele fim de mundo. (Um cu de mundo como aquela estrada, sem luxos de segurança como câmeras de vigilância para servir como "flagrante" depois de qualquer sacanagem envolvendo toda a sorte de hóspede. Esqueci de mencionar que tinha umas quemaduras no lençol do quarto, aparentemente alguém andou brincando com velas onde eu tinha dormido.) Caímos na estrada de novo.

- Alan....
- Fala, Juca.
- Supostamente você é virgem, certo?
- Por quê a pergunta?
- Você idealiza alguma coisa a respeito disso?
- Como assim?
- Quando era da sua idade, eu era apaixonado, assim como todo mundo, por uma mulher chamada Magda Cotrofe. Ela era mais ou menos como a Cicarelli daquele tempo, claro que não era tão gostosa quanto essa aí, mas daí eu conheci uma mina que estudava comigo no colegial, papo vai, papo vem, olhares aqui e ali, depois de uns meses de batalha eu consegui. Tudo porque ela tinha o mesmo jeitinho da tal Magda Cotrofe.
- Ahn?
- Você tem alguém assim em mente, Alan?
- Não necessariamente uma menina X ou Y...
- Não existem mulheres bonitas em Mairinque?
- Na verdade, eu tenho uma tara animal por orientais. Minas orientais. Mestiças, na verdade. Tinha uma lá que era de parar o trânsito. Lílian. Lilian Mishiyama.
- É um bom começo.
- Mas não sai muito daí. Só namora carinhas da Colônia. Foda-se ela.
- Certo.

Ele estava começando a ser esperto. Bom sinal.

Continua de 3 a 7 dias.

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