terça-feira, 30 de novembro de 2004

A Terceira Parte do Novo Sucesso Inédito de André Diniz.

- Juca, minha bonequinha!
- Vai pra puta que te pariu, Tio!

Meu "Tio Raul" era um dos caras mais pirados que eu já conheci na minha vida. Um gênio. Um louco. Talentos de vendedor, um perdulário enquanto gerente. Em dez anos, ele tinha sido dono de um bar, de um fliperama, de uma loja de roupas para inverno no verão e uma de roupas de verão no inverno e uma Belina que vendia pães-doces e Herbalife. Agora era sustentado pela mãe que era empregada numa casa de ricos e pelos filhos que eram técnicos em elétrica de fabriquetas locais. O seu filho mais novo completava quinze anos naquele domingo. Faltava-lhe um punhado de dentes na boca.

- Alan, venha cá.

Alan havia sido batizado em homenagem ao Alain Prost, aquele francês nojento que conseguiu sem dificuldade ser maior que Ayrton Senna.

- Alan, esse é seu primo Juca de Sampa. Juca, esse meu filho é um zero absoluto. E isso vindo de mim não é deboche, é aviso. Eu quero que você o ensine algumas coisas que realmente valham a pena.
- Na boa tio, eu não sou tutor pra ensinar nem puta pra tirar o cabaço do nerd aí.
- Eu não tô falando isso. Eu estou pedindo apenas que dê uns rolês com ele pra fora de Mairinque. Puta que pariu, ele mais parece um cacto de tão expressivo que é, gosta de RPG e outro dia eu o vi batendo punheta por causa de uma personagem de desenho japonês. Vê se pode uma coisa dessas! Falei com a mãe dele e ela até concordou com isso, a mala dele tá até pronta pois meio que a gente sabia que você apareceria.
- Ô pirralho.
- Fala, "tio".
- Tu tem namorada?
- Nem.
- Tem amigos?
- Não que valham muito a pena.
- Já bebeu?
- Não.
- Já fumou?
- Depende.
- Já comeu alguma mina?
- Não.
- E algum cara?
- Não e vá para a puta que pariu.
- Então pega as suas coisas que mais tarde a gente tá indo pra Sampa. Mas antes me responda: como conseguiu se manter vivo até hoje?

Continua no próximo episódio.

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