terça-feira, 30 de novembro de 2004

"Dois Ceus" saiu do ar por falta de popularidade.

Agora, para todos os efeitos, esta é a segunda parte de "Salary Man", agregando estórias novas. Com os clichês que você espera de uma historinha de André Diniz, o "Poser Indie".


Foi mais ou menos na época em que não sonhava. Eu estava com problemas de sortidas ordens - ainda não digerira que minha namorada me trocara por outra mulher, eu estava ficando de saco cheio do emprego, e as faturas de cobrança do Cartão Visa se empilhavam ao lado do telefone (uma delas de seiscentos reais por causa de uma noitada no puteiro em Itajubá enquanto prestava assistência contábil a um amigo do Dito, meu chefe no escritório). Lembro que era uma sexta-feira sem número, depois do almoço quando o chefe me chamou.

"Escuta chapa, aqui a gente joga como num time. Meu rabo depende do seu assim como seu rabo depende do meu chefe e o do chefe depende do rabo da Marcinha do café. Porra Juca, quatro atrasos em três semanas mais um plantão que você mandou pra puta que pariu?! Eu te pareço uma puta pra você foder com a minha vida assim?"

(Naquele momento, ouvindo aquela pergunta, eu me lembrei dos pés tortos da Uma Thurman e do Marsellus sendo currado no porão de uma loja de penhores. Foi então que eu percebi que bastava apenas uma palavra para que o meu chefe começasse a ser medieval com o meu rabo.)

- Não, Dito. Mas....
- Mas o quê, hein? Me explica o que a gente aqui tá fazendo de errado para que o seu serviço saia porco que nem o rabo de um índio velho. O café tá amargo demais, você tá com problemas pra dormir de noite, tem um prego na sua cadeira? Fala que a gente resolve, daí não teríamos SETE reclamações de clientes por causa da sua incompetência nos últimos dois meses. Não são um, nem dois. São SETE. Aquele número que fica antes do OITO. Você não me deixa escolha, Juca. Vai lá pra sala da Kátia, Amigão.

Kátia era a encarregada do RH.

- Então, com todo o respeito, seu Dito, VAI TOMAR NO CU, Amigão.

Ainda bem que ele não ouviu quando eu estava saindo do prédio.

Fechei a casa, deixei meu chihuahua Pepe aos cuidados da Cíntia, minha vizinha, suspendi a assinatura da Private e paguei a conta do Pay Per View dos filmes de sacanagem. E com os trocados eu me mandei para Mairinque, onde meus pais agora moravam depois que eu me formei em Economia.

Liguei para um amigo meu dos tempos de faculdade, pedindo asilo na chácara dele. Tive que gastar um pouco da minha lábia para convencê-lo a me deixar ficar lá e consegui ("Mas se eu souber que você LEVOU ALGUMA PIRANHA PRA METER LÁ e não me chamou EU CORTO O TEU PAU FORA E DOU PARA SEU PROJETO DE CACHORRO COMER!"). Então no domingo, no almoço da família, eu cheguei na casa do seu Itamar. Beijos, abraços, perguntas "Como é a Cidade Grande" do meu primo em segundo grau chato, e então meu velho me chamou pra conversar no canto.

- E aí, o que contas?
- Fui demitido, pai.
- Ah, é foda mas acontece.
- Justa causa.
- Seu filha da puta....

(....)

- E aí, como andam as coisas com a Tânia?
- Ela me largou.
- "Num fica mau não-
- ....-fique mal apenas no fim-de-semana./"
- Sabe o que aconteceu com ela?
- Ela ficou com uma flogueira.
- Uma o quê?
- Uma guria que se exibe para os outros em diários de imagens na internet e que marmanjos como eu ficam acessando e elogiando a bela bunda que ela tem.
- Que coisa....
- Pois é, acho que o pau que essa flogueira comprou deve ser maior que o meu natural.
- Vadias...
- Concordo.





Ainda neste almoço de família acontecerá uma coisa que mudará o destino de Juca. O que será? AGUARDE NOS PROXIMOS DIAS.

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