quinta-feira, 23 de setembro de 2004

Jornalista não toma duas voltas na redação: Como o 'Cocadaboa' mostra que somos fracos

Com laringite e com um humor do cão que só uma noite mal-dormida pode nos proporcionar, eu abro a internet de manhã e me deparo com o relato de Pedro Doria sobre como ele foi enganado, de novo, pelos redatores do Cocadaboa. A coluna se refere à fictícia criação do "Sexkut", uma variante do megabanco de dados pessoais "Orkut" visando apenas sexo. O próprio Doria se justifica com: "Não foi notícia que desmanchasse reputações ou que levasse o leitor a gastar dinheiro inutilmente", entretanto a notícia saiu do espaço de Doria no "NoMinimo", a "página dois" do portal eletrônico iBest e ganhou os blogs de ícones multimidia como Marcelo Tas, as páginas do Terra, iG, até mesmo na Folha de S. Paulo o "Sexkut" rendeu destaque.

Venhamos e convenhamos, o pessoal do "Cocadaboa" é macaco velho no ramo da alopração internética. Sem perdoar uma só alma neste país, ou em qualquer outro país, eles avacalham com tudo e com todos, da pior maneira possível. Por essa razão, temendo processos por difamação e afins, hospedaram o seu site em um servidor na Eslovênia (leste da Europa). Recentemente, Vagner Martins, vulgo Mr. Manson, lançou mais um "trote": um livro sobre uma estrada que corta o Piauí - "Transpiauí: uma expedição proctológica", onde simplesmente deve esculhambar ainda mais a tudo e todos (eu grifo "deve" pois eu não li o livro e não tenho bagabem para criticar coisas que não conheço, de novo, e agora confesso que fico no campo da conjectura), como é de seu feitio.

Mas não estamos aqui pra encher ou esvaziar a bola de Mr. Manson e companhia. Estamos aqui pra achinchalhar outra coisa. Creio que é mania de jornalista tomar uma informação que pareça ser interessante ou bizarra, e repassá-la para a frente esperando que sua voz seja o aval da verdade, como numa corrente de cartas que eram jogadas nas nossas portas esperando que escrevêssemos mais vinte cartas para atrair a boa sorte e evitar que as "coisas-de-quem-não-falamos" poupassem a nossa sorte. Ou, numa versão mais moderna, os spams. Mas, como ainda existe um pouco de Justiça Divina, os jornalistas acabam com a língua no rabo.

"Malandro que é malandro não toma duas voltas no mesmo morro", já dizia o velho ditado. Mas parece que os jornalistas nunca dançaram um partido alto em toda a vida. Trotes e hoaxes brotam em qualquer parte, dos vídeos de fetiches eróticos de Lady Diana (mais tarde desmentidas pelo casal de atores que inclusive participaram de um comercial para um shopping center em São Paulo) à foto em que um tubarão apanha um mergulhador enquanto ele subia num helicóptero da marinha (uma montagem muito bem feita do Photoshop). Não que manipuladores de imagens tenham descrédito (inclusive tem que ser extremamente versado nos programas de "maquiagem" de figuras para que elas se pareçam reais, como os da Playboy), mas o descrédito fica a cargo dos jornalistas que não fazem uma coisa simples: perguntar a uma fonte de confiança: "procede a informação?"

Dói reconhecer que não sabe com certeza acerca de alguma coisa? Afinal de contas, ainda não somos deuses oniscientes (apesar de "focas" pensarem que serão assim que apanharem o canudo que lhe darão poderes inimagináveis, como o Anel dos Lanternas Verdes), e precisamos ver pra onde apontamos as nossas canetas e afins, para que não fiquemos mais malfalados no meio. Casos como esse são inofensivos.

Eu mesmo tomei uma volta do Cocadaboa. Uma das várias notícias falsas que eles lançam no ar tratava acerca da demissão do garoto-propaganda das Casas Bahia, onde dizia que ele teria sido demitido após "sair do armário" na Parada Gay de São Paulo meses atrás sem motivo aparente, numa demonstração de homofobia. Passei a informação adiante, com um anexo: "eu sabia que ele era uma bichinha". Só que mais tarde fiquei sabendo que era mais uma pegadinha do Cocadaboa. Não sem antes responder a meio mundo "sim, a informação procede". Bom, eu tomei a minha volta, e aprendi.

Inclusive, eu fiquei sabendo de uma verdade inabalável: qualquer um pode contar a verdade, desde que use um vocabulário irrepreensível, mesmo que de apenas 850 verbetes como no Jornal Nacional (informação avalisada por Furio Lonza, caga-regras de plantão que colunava no extinto coletivo virtual "Fraude", autor e afins). É simples soar como uma pessoa intelectual. Por isso existem tantas toupeiras fazendo Jornalismo.

E mais uma vez André Diniz descobriu o óbvio ululante.

4 comentários:

LESHRAC disse...

Você acaba de tomar outra volta do cocadaboa, o site deles nunca esteve na Eslovenia... isso é lenda que eles criaram, e sempre colocam comentarios dando risada quando alguem comenta isso...

Anónimo disse...

rsrs.. Eu hein..
Iris

Anónimo disse...

Duas coisas a dizer acerca:

1 - Se o site deles não está na Eslovênia, como ainda não processaram aquele panaca do Mr. Manson?

2 - Isso só reforça a minha tese de que a usina de Angra deveria entrar em estado de massa crítica pra poder eliminar esse estado podre do Rio de Janeiro.

Ass.: André Diniz, vulgo Uncle Andy

Anónimo disse...

Ah, nessa do cara das Casas Bahia até eu caí... Nunca mais vou acreditar em nada, tbm...
Mas achei muito bom seu texto, pra variar...
Ow, cê viu nossa nota de Plangra? Ficamos com 5 cara, q mwerda.... sei que eh meio puto da minha parte perguntar agora, mas deu alguma zebra com o trabalho? Bom, a gente se fala, abraço!

Deco Lindo