quinta-feira, 12 de agosto de 2004

Parte 3 de "Código de Honra" - 'Serviço do Homem'.

Miguel havia estabelecido sua posição numa sala vazia no último andar do prédio em frente à janela do escritório de Sampaio. Pelo ângulo e pela distância, seria um tiro difícil, deixando-lhe pouca visão do interior do cômodo, e ele rezava que Sampaio num dado momento se colocasse à frente da janela, e então seria um tiro limpo. Com o calibre da sua arma, seria fácil transpassar mesmo o concreto da parede e acertá-lo enquanto comia seu almoço, mas nem mesmo Miguel dos Santos, matador profissional com mais de oitenta alvos executados, conseguiria um feito de tanta sorte. Caio concordara com os termos do acordo de Miguel: se o atentado contra Sampaio fosse fatal, Caio pagaria os dez mil e quinhentos reais que Miguel pedia, mais uma garrafa de Johnny Walker Blue Label. Se Sampaio sobrevivesse sem um único arranhão, Miguel não cobraria um único centavo.
Miguel estava lá desde as dez da manhã. Ele acompanhara todos os passos da rotina de Sampaio, que era simples. Sampaio morava num quarto alugado num sobrado perto do Jaçanã, com casas baixas ao redor e ia para o escritório numa num Monza Classic azul-marinho. Chegava às oito e quinze, ficava de papo pro ar ou pesquisando sobre casos atuais ou passados até aproximadamente onze e meia, quando tomava uma cerveja num botequim perto dali na Cracolândia. Voltava perto das treze horas, apanhava seu almoço, o comia e continuava seu afeito. Saía à tarde, quando fazia suas campanas ou simplesmente ia pra casa, encher a cara e dormir - isso quando não o fazia no próprio escritório. Se ele não aparecesse na janela, o pegaria na saída. Se ele ficasse no apartamento, seria forçado a invadir em assalto e eliminá-lo à moda antiga. Miguel queria um serviço cirúrgico, e era assim que agia. Odiava colocar a vida em perigo, pois fizera muito disso na Baixada Fluminense no início de sua carreira.
Sampaio contou com a sorte de Miguel estar distraído quando entrara depois do almoço. Uma das possibilidades era de ele ser morto quando entrava no prédio, entretanto Miguel raciocinara que duas pessoas, mortas em circunstâncias semelhantes - ambas abatidas à distância em plena luz do dia com o mesmo calibre em pontos próximos - seria suspeito e óbvio demais. Decidiu aguardar. Por apenas quinze minutos.

- Diz tchau, bonequinha.

-BANG-

Continua.

2 comentários:

Anónimo disse...

Como já disse uma vez o amigo do Andy Garcia: ler textos na tela é cansativo e é difícil resistir à compulsão de "folheá-los" na diagonal. Mas eu não deixo de ler e de curtir viu. Parabéns!
Iris.

Anónimo disse...

cara, ficou muito bom, talvez até melhor do que eu teria feito, só acho que você descaracterizou a visão da minha criação, talvez se tivéssemos conversado mais a respeito... ou não... trata-se de um universo wath if... o sampaio do pop e espumante é diferente do sampaio da que que é isso meu... simples assim... ou não...

saddam