quarta-feira, 4 de agosto de 2004

Começando nova saga de "Aventuras Aventurescas®"......

Essa história originalmente foi criada a partir de uma saga de posts de ficção policial das mãos de Régis Guerini, o Saddam (o link para seu blog está na lista). A partir daí, Ricardo Sampaio possui uma nova roupagem (quantas vezes isso já aconteceu no meio do entretenimento? Se pensarmos quantas variantes de James Bond existiram....), mas ainda tentando se manter no estilo "Dirty Harry" do investigador casca-grossa. Aqui ele se depara com o fantasma de seu passado, Caio Abreu, a quem Sampaio deve uma coisa ou outra.
Com vocês, Código de Honra
.


Do terraço de um edifício no centro de Sampa, ele observava a todos naquela terça-feira chuvosa. Apenas o som dos trovões ecoando no céu longínquo e os aviões rugindo acima das nuvens. No chão, carros num congestionamento e fumaça sufocada pela chuva que não parava de cair. Numa praça em frente ao edifício comercial, pessoas indo e vindo, ocupadas demais em pensar nas flores do mal e no significado da existência, apenas pensando se estão atrasadas demais para voltar ao expediente. Mendigos e moleques de rua apenas olham para o alto enquanto eles aproveitam a chuva para um rápido banho antes que os guardas municipais os espanquem para longe dali. Um pregador pentecostal tenta vender sua fé para mais uma multidão de desocupados, incrédulos e um ou outro ri enquanto o pregador levanta as pernas durante um pulo para chamar a atenção de quem passa perto. E do alto do prédio, ele observa. E espera.
Nesse momento ele vê alguém entrando pela porta do acesso ao terraço. Dois homens, de meia-idade. Um deles é um completo estranho ao observador. Portando um guarda-chuva tradicional e uma pasta, o desconhecido se pronuncia:


- Você é que é o Miguel?
- Quem você esperava, a Lucy Liu?

O segundo homem se pronuncia.

- Miguel, esse aqui é o Rubens. Ele tá precisando de uma ajuda sua, sabe?
- Ele é empresário, é?
- Como é?
- Sabe como é. Isso não costuma acontecer muito em São Paulo, mas lá pelos lados de Minas, principalmente na roça... Tem muita gente que costuma ser pega em tocaia e que o jornal nem se dá muito ao trabalho de divulgar. Mas aqui é São Paulo, a Cidade Grande. Se uma coisa dessas acontece, principalmente com um empresário, vai vir Polícia, Datena, o cacete a quatro e isso é ruim pro meu lado, isso me broxa. Dez mil e quinhentos. Por tiro.
- Miguel, num quebra a minha perna desse jeito, meu velho... Eu falei pro cara que você manja dos bordados do assunto. E que é bom e barato.
- E que tal o cara abrir a boca pra poder se defender? Talvez ele tenha algo bom a dizer, certo?
- Pode me chamar de Caio. E em primeiro lugar nem eu nem o cara somos empresários. O cara que eu quero pegar é um zé-ninguém. Se ele morrer, não creio que irão se importar muito com a morte do infeliz. Ele trabalha num prédio comercial a vinte minutos a pé daqui, ele é investigador particular. Pé-de-china completo. Vai lá e dá um tiro no cara, arranca a perna dele fora e pronto. Dinheiro limpo.
- Você quer que eu vá e deixe o tal investigador aleijado com um tiro meu... Já dizia o velho ditado: "Quem pode faz, quem não pode contrata". Por quê simplesmente não vai lá e arrebenta os miolos dele com um trinta e oito e sai no melhor estilo "Michael Corleone"? Digo que você se sentiria muito melhor se fizesse isso, eu mesmo já fiz isso.
- Atirar e sair correndo que nem um amador, é muito pouco pelo que aquele filho da puta do Sampaio fez comigo. Eu quero que ele sofra um bocado, e me sinto à vontade o suficiente para dizer que isso é apenas o começo.
- Bom, pelo menos já temos um nome. Apenas Sampaio?
- Ricardo Sampaio, investigador. Ele tem um escritório aqui perto, eu já disse.

Nesse momento, Miguel chama Caio para a borda do edifício, enquanto monta a mira no rifle que estava numa bolsa de viagens, meio que pronto para atirar. Miguel coloca a munição no rifle e segura como se fosse uma rélis vassoura, junto à perna esquerda.

- Em primeiro lugar, senhor Caio, eu não sou surdo nem idiota para o senhor me repetir o que disse apenas por dizer. Em segundo lugar, acho que não vai dar pra fazer o serviço do jeito que o senhor está pedindo, não.
- Por quê caceta não vai fazer o serviço?
- O senhor entende de armas? Sabe que esse rifle aqui dispara balas calibre .338 Lapua Magnum e que essas balas costumam FUDER com o alvo? Venha, escolha um lá embaixo.

Caio aponta para o Pregador.

- Eu trabalhei na cidade do Recife, no Amapá, no Sul de Minas e no Mato Grosso do Sul. E você é o primeiro que tem a pachorra de me pedir pra não matar uma pessoa. O problema...

-BANG-

..... é que eu nunca atiro para apenas imobilizar.




Continua.

1 comentário:

Whiskey Jack disse...

.... Embora já tenha lido esse pedaço antes no outro blog, gosto muito desse conto e fico feliz que ele esteja sendo continuado.