sexta-feira, 18 de junho de 2004

Lutamos com a lei e ela venceu.

Bom, esse conto de ficção científica estava sendo escrito na velha Coca Cola Company, onde fomos banidos do BLIG. Então, com a transferência de poder para o Blogger internacional, retomamos desde o começo com Lutamos com a Lei.

A cidade estava em ruínas. As ruas eram a única coisa que estava num estado de conservação melhor. Tanques Urutu de matrícula brasileira estavam inúteis, retorcidos, parecendo que há séculos estavam encostados na calçada, destruídos e abertos como uma flor. Ele encontrou uma passagem para um prédio subterrâneo, uma antiga loja de departamentos. Ele entra para se abrigar da luz do sol, que facilmente poderia revelar sua posição às patrulhas que sobrevoavam a cidade em algo que parecia com helicópteros a jato - absurdamente silenciosos e mortais. Em punho, uma pistola e unicamente uma pistola.
Ele entra e encontra uma garota de mais ou menos dezesseis anos, magra e alta. Com a pele tão clara quanto um copo de leite, com um uniforme escolar azul-celeste. Ele já a conhecia, mas mesmo assim a adrenalina que a situação pedia exigiu a si mesmo que não confiasse em ninguém. Apontou a Beretta e cochichando, disse:

-Camila, fica aí.
-Ah, é você. Pode vir, não há problema nenhum.
-Há alguém mais contigo?
-Não não. Entra logo.

Estava absurdamente calma, como se todo aquele caos fosse simplesmente o seu cotidiano. Atravessou as escadas de emergência semidestruídas para o subsolo da loja, com algumas armas, e um tanque de transporte, APC estilo americano sem matrícula. Uma coisa ele notou: não havia cadáveres pelas ruas, nas casas e em qualquer outro lugar. Todos desapareceram, como se fossem apagados do mapa de algum sonho estupidamente bizarro. Pessoas esporádicas, sobreviventes ou refugiados, raramente apareciam. As freqüências de todas as faixas de rádio mantinham silêncio - AM, FM, ondas curtas e nem mesmo os aparelhos PX respondiam, um silêncio que o enlouquecia. Ele sabia que uma guerra de proporções titânicas havia eclodido, ele sabia que nosso lado havia perdido. Ele esteve em coma por uma tentativa de suicídio com pílulas para dormir durante toda a ação. Acordou em sua casa nos arredores de São Paulo e viu o mundo depois do Juízo Final. Quem era o atacante? Quantos eram? Quanto tempo a resistência teve para um contra-ataque? O que aconteceu com todos os outros - foram mortos, eram prisioneiros em algum lugar, o que realmente havia acontecido?
Ele apenas encontrou a arma que pertencia a seu pai, dois carregadores cheios e uma mochila com algumas frutas quase em processo de apodrecimento, mas que ainda poderiam alimentá-lo naquela manhã, mas não sentiu um pingo de fome por todo o dia. Ele se lembrou de dois colegas, cujas paranóias militaristas e seus anseios por resistir a uma invasão - à primeira vista estadunidense - eram tão latentes em suas mentes que poderiam estar entocados em algum porão e que poderiam dar algum suporte. Tinham walkie-talkies Motorola, de médio alcance. Conseguiu achar um intacto nos escombros de uma loja de eletroeletrônicos numa galeria do centro da cidade. Foi quando a encontrou. Como a conhecia na escola.

-Camila, eu preciso sair dessa cidade.
-Tudo bem. O que quer?
-Porra, eu quero sair daqui! Quero procurar mais pessoas, ver onde estão os outros, se há alguma resistência.
-Ah é? Posso ir contigo?
-Vai ser foda. Não acho que uma bonequinha de louça como você possa suportar o que vem pela frente.
-Eu não sou mais a mesma que você conheceu no colegial. Eu suporto. Você vai suportar?
-Continua arrogante, hein? A gente sai ao cair da noite.

Saíram às seis da tarde, a bordo do APC não-identificado pelas ruas da cidade a caminho do Rio de Janeiro. O tanque não fazia nenhum barulho, o que era estranho. Como em tão pouco tempo havia se desenvolvido uma tecnologia que pudesse fazer tanques e aeronaves a jato serem tão silenciosas e continuarem com funcionamento normal, tal qual carros elétricos.
O céu estava claro e aberto, não havia lua. A estrada, mesmo esburacada com buracos enlameados por uma chuva que talvez tenha caído na tarde anterior, era até certo ponto transitável. Estavam passando por São José dos Campos quando Camila disse em tom sereno:

-Temos que passar a noite aqui.
-Mas não faz nem duas horas que saímos de São Paulo.
-Não quer procurar por sobreviventes?
-Tá certo. Vamos parar por aqui. Mas se alguma coisa acontecer, eu atiro em você.
-Tá certo.


Continua.

1 comentário:

A. Diniz disse...

Por favor, seja legal e deixe outras pessoas postarem aqui.