terça-feira, 22 de junho de 2004

Canon em D e outras cretinices

Ainda não consegui dissolver no estômago aquele uísque paraguaio cretino. Tomei um cola no Gunbound, voltei para os braços da minha vida patética em Bauru - patética entretanto própria - e ainda sim não consigo encontrar meu desatino, perdido em montes e montes de CDs personalizados e revistinhas do Super-Homem.
Apanhando meus velhos discos, vi umas coisas que não lembrava ter. David Bowie se declarando pra deliciosa Christiane F. em "Heroes", músicas do Cowboy Bebop que me deram um pouco mais de força numa certa noite a oitenta por hora na Avenida Cowboys from Hell de São José dos Campos; Legião Urbana que me lembrou outras noites, outras sensações, um paradigma com meu atual concorrente - meu espelho.
Meu quarto. O aviso que não deixa me esquecer quem eu sou: o fracassado.

-"O que você quer ser quando crescer, meu filho?"
-"Quero ser homem-bomba, meu pai. Mas isso não dá muito dinheiro e uma vaga no Luso Brasileiro, né?"

Bolero de Ravel. Presença de Anita, Mel Lisboa rodopiando peladinha às onze da noite, um bom motivo pelo qual eu matei aula de Matemática. Aquele nerd miserável. Talvez ele vá rir no inferno quando souber que eu não consegui ser nada mais que mediano por aqui, que talvez eu vá abrir um buteco pra me sustentar e vender pinga praquele neguinho sem-vergonha que me enchia o saco quando era moleque. Ainda bem que não moramos nos Estados Unidos.
Estava com saudades dos meus livros, com saudades de minha cama e meus tormentos, saudades de tudo, no geral. Saudades da matéria negra que ainda reside no Universo depois do sétimo dia, escondida debaixo da minha cama que me fez ter uma multa astronômica na Biblioteca. Estou de volta ao meu aconchego, trazendo nas malas cheias de pêlo de gato e roupas cheirosas uma vointade fudida de me jogar da ponte.

***

Não sei o motivo de eu querer ainda ser como o tal Mirisola. Não li Bangalô, mas eu senti que depois que ele começou a fazer dinheiro como o João Gordo da AOL, ele tenha se tornado apenas mais um querendo lucrar com o filão. Não, não o estou chamando-o de "traidor do movimento", que envergadura moral eu teria para fazer tal panaquice? Ainda sim, desde que me desliguei de certas coisas e me tornei mais um Nogueira imbecil e proto-revoltado, com o ar de prepotência e arrogância que apenas esconde um pouco da minha própria fraqueza. Isso mesmo. Acabei de inventar a pólvora: eu sou fraco. Tanto quanto café de avó.
Que vida maravilhosa. E eu ainda queria tomar alguma droga amazônica pra poder encontrar meus demônios interiores. Mas nada como um bom gole de paraguaio.

***

Hi, my name is Slim Shady.

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Senhoras e senhores, Elvis acaba de deixar o prédio.

1 comentário:

LESHRAC disse...

É magrones... ainda mato quem disse que a vida é algo maravilhoso... hehe