quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

- Cê viu aquela guria que teve a 'tuitada' citada no jornal?
- Vi.
- É.....
- Ela não é aquela atriz, daquele seriado?
- Pesquisou, né?
- Só colocava naquele canal pra ver a cara dela e aquela animação de massinha dos carneiros..... Rapaiz, eu colocava ela num chaveiro.
- Você ia quebrar a cara.

Não sei bem o motivo, mas "Fuck Her Gently" do Tenacious D começou a fazer sentido.

domingo, 27 de Setembro de 2009

Um idiota com dinheiro

Faça a seguinte experiência. Pegue 100 idiotas, das mais sortidas classes sociais. Dê a elas R$ 100 e jogue-as dentro de um shopping center, com a condição de que gastem no shopping e respondam duas perguntas no final do dia: o que compraram e no que acreditam. Um idiota com dinheiro é apenas um idiota com dinheiro; não é porque ele é rico ou bem-sucedido que será uma pessoa melhor. Pode justamente acontecer o contrário: o 'vil metal' do Belchior (de volta à mídia no final dos seus 15 minutos de retorno) vai apenas mostrar a sua verdadeira face, escondida sobre camadas de verniz social e politicamente correto.

Na coluna do retardado mental do Diogo Mainardi* do dia 16 de setembro "Petróleo... Na África", e com a recente coluna "O Presidente-Muamba", do dia 25, vemos quem é o verdadeiro idiota em todo este nosso carnaval midiático. As duas peças se encaixam no script apontado por todos os verdadeiros jornalistas, aqueles que viveram de fato a profissão em seus altos e baixos, longe dos cursos preparatórios das behemoths da comunicação brasileira: que a direita brasileira prega ininterruptamente em direções opostas. Onde houver clareza, espalhará dúvida; onde houver vontade, espalhará o desânimo; onde houver progresso, espalhará a tucanagem.

Na coluna da semana passada, Mainardi fez de maneira zelosa e descritiva o desdém que sente pela abordagem do Governo Federal na questão da exploração do petróleo na camada pré-sal na costa brasileira. Afirma que, com a descoberta de petróleo no pré-sal de Serra Leoa, na costa da África Ocidental, o Brasil entra natimorto no ciclo do petróleo mundial: "O pré-sal tem tudo para repetir o ciclo da borracha. Do apogeu à queda. A belle époque amazonense recorda a belle époque lulista". Poucas linhas antes celebra o acordo firmado pelo governo de Serra Leoa de concessão seria o mais correto: "Igual ao dos Estados Unidos". Obviamente que o modelo funciona bem para os americanos, uma vez que são eles segurando a faca na garganta dos outros.

O modelo americano, tão celebrado pelo colunista ítalo-estadunidense-brasileiro** produziu diversas democracias ao redor do mundo: o Shah do Irã, a teocracia da Arábia Saudita (que só não é combatida pela opinião pública como misógina, retrógrada e assassina por conta da contextualização econômica entre os dois lados do balcão de negócios) e Saddam Hussein, que por duas vezes deu dinheiro aos americanos: com o petróleo na década de 80 e com as empreiteiras no século XXI (mesmo assim, escolhi ser jornalista a ser engenheiro. Não queria ser um novo Carlos Vilela no futuro). Os falcões conservadores da Nova Inglaterra, juntamente com o Carlyle Group, estão migrando suas nuvens de gafanhotos do Oriente Médio para voltar à África, como numa nova corrida colonialista, rivalizando com os chineses que já haviam descoberto a Mãe da Humanidade há alguns anos - tendo como Angola o principal exemplo de neocolonialismo econômico.

A teoria de Mainardi - e de grande parte da chamada "Imprensa Golpista" brasileira - é o que nos círculos mais recônditos da internet chamam de "Troll Falho". Alimenta chamas de polêmica sem sequer prestar atenção nos pilares básicos de uma boa discussão, soterrando a lógica com chorume e insultos de pré-primário. Chama Lula de caudilhista e retrógrado por conta da postura tomada na questão dos energéticos submersos, mas deixa de lado o "nerve" brasileiro em reafirmar que o "Petróleo É Nosso", uma vez que temos potencial tecnológico para extrair o em águas profundas (muito mais rápido que a concorrência, devido à experiência da Petrobrás em operar na costa brasileira), além da estabilidade política do Brasil em relação ao outro lado do Oceano Atlântico. Enquanto que lá chefes tribais perguntam a seus desafetos políticos "manga curta ou manga comprida?" com um facão (afim de saber onde será feita a amputação, no pulso ou no ombro), o Brasil mesmo com seus Sarneys, Serras e Zés Dirceus, ainda consegue ser uma democracia sólida de sucessão de governos pacífica e produzindo petróleo. Não precisa ser um MBA para saber qual é o lugar com maior liquidez nos negócios.

Falando em democracias, a manhã de domingo ficou um pouco mais conservadora com a abordagem da imprensa abrilesca sobre o abrigo do presidente deposto de Hondura, Manuel Zelaya. Seja pelas armas convencionais (das páginas do miolo, temperadas com anúncios) ou pelas "operações especiais" dos formadores de opinião da tucanagem paulistana de 18 a 55 anos, a missão é a mesma: colocar o Brasil como um comprador de feijões mágicos ao dar abrigo ao presidente hondurenho após ser deposto em conjunto pelo Poder Legislativo, Judiciário e Eclesiástico de seu país. De mais a mais, a própria Constituição hondurenha não reconhece a legitimidade de qualquer governo que tenha sido alçado por meio de golpe, militar ou não. Fica a pergunta: quem feriu primeiro a Constituição? É crime discutir, debater o que está escrito em pedra? Fosse assim, ainda estaríamos no Código de Hamurabi.

Para os "teóricos de Diplomacia e Relações Internacionais" Miriam Leitão e Alexandre Garcia (da sempre imparcial, justa e decente Rede Globo), o Brasil deveria manter-se neutro, como um cidadão que fica calado quando vê uma mãe adolescente descontrolada bater violentamente em uma criança por uma mera birra. Para eles, o Brasil não pode se destacar na multidão de repúblicas bananeiras. O Brasil não pode ter opinião lá fora, pois o povo pode se acostumar com essas idéias e sair da revolução feita no sofá de "#forasarney".



Um idiota com dinheiro continua sendo um idiota. O Brasil mostra que se esforça em deixar de ser apenas um idiota com dinheiro: está opinando e defendendo posições, primeiro lá fora. Sempre fomos bons em primeiro exportar, para depois colocar no Mercado Interno. Espero que este choque de consciência acabe sendo absorvido pela opinião pública brasileira (muito mais forte que a dos colunistas de esquerda ou direita) e se sobreponha.

E, como era de se esperar, o primor do sentimento de orgulho nacional da Imprensa Golpista está estampado na capa da "Veja". Aquela mesma que colocou Lula com uma marca de sapato nas nádegas e o Brasil como um mero garnizé diante da Águia americana. Nessas horas eu pergunto se Deus, em sua infinita sabedoria, me deixou de fora de lá por duas vezes para que eu não sentisse nojo imediato dessa profissão que escolhi.



"Se o país [Brasil] é humilhado pelos vizinhos, tem suas riquezas roubadas impunemente e acumula derrotas nos organismos internacionais, é porque o presidente e seus diplomatas escolheram o caminho da ideologização da diplomacia nacional".

Sem me apegar à imbecilidade de seu argumento, caros Otávio Cabral e Duda Teixeira, eu pergunto com a inocência de uma criança que deixou a cartilha: IDEO-LO-QUÊ?


* Mino Carta uma vez disse que "O máximo que o cidadão [Diogo Mainardi] produz com perfeição é paralisia cerebral". Provavelmente Carta deve ter orgulho do seu pai, assim como eu tenho orgulho do meu e de tudo que ele representa como ser humano. Quanto a Mainardi, seu filho talvez não terá orgulho de seu pai no futuro, mesmo se pudesse.

** No final do século XIX, os navios que partiram da Itália para as Américas se dividiram quase que 50-50 entre o porto de Santos e o porto de Nova Iorque. O colunista abrilesco lamenta com lágrimas de sangue que seus ancestrais tenham embarcado no navio errado, por isso sonha em ter a cidadania americana, advogando em seu nome na imprensa brasileira.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Seção Literária: As Namoradas de Mamãe.

N.A.: A história a seguir é outro dos "episódios-piloto" elaborados em colaboração com Rodrigo Lima, AKA Coxinha. Ele entrou com o título, entrei com o argumento, e assim vamos seguindo.

Ana Letícia estava sentada na frente do computador. Preenchia seu tempo nas férias normalmente, como qualquer outra garota de sua idade faria: fóruns sobre cantoras pop da disney. O quarto era normal, como de qualquer outra pré-adolescente brasileira do sudeste: fotos de ídolos teens, bichos de pelúcia, aquela presepada toda. O computador cheio de adesivos, com um papel de parede da Pucca. No teclado, seus dedos serpenteavam sobre as teclas, alternando entre as postagens no fórum de imagens e o Adobe Photoshop, onde trabalhava em uma imagem que colocaria no ar depois do jantar. Pensava na vida, sobre como tinha ido parar na casa do pai, em vez de ir morar com a mãe - por que logo o pai, um mísero funcionário público da prefeitura de Campinas bronco como um ogro, ao invés da mãe?

Ela pensava e sentia que sua vida precisava mudar. Foi quando ela sentiu algo quente entre suas pernas. Algo úmido, quase lívido. Ela abriu as coxas na cadeira estilo escritório e constatou que a vida biológica começava pra ela de uma vez por todas. Ana não se assustou com sua primeira menstruação, já tinha lido revistas, matérias, havia aprendido sobre reprodução humana e sexualidade no colégio, então sabia que era o primeiro passo para uma nova série de experiências. Apesar dos seios pequenos e mamilos cor-de-cereja, sabia que em breve estaria às voltas com o primeiro sutiã, absorventes, TPM e todo o pacote da feminilidade. E tinha apenas uma certeza: essa conversa não era digna de sua madrasta.

A relação entre as duas sempre foi de rivalidade, independentemente dos apelos do pai, Jorge Gonzales, de que ambas tinham exclusividade no coração, mas em dimensões diferentes. "Sempre vou ser seu pai e te proteger, mas precisa entender que eu também sou um homem e posso me apaixonar". Essas palavras soavam como uma punhalada no coração. Mas a punhalada doía mais porque ela se sentia um produto de uma experiência genética, porque não conhecia a mãe. Não havia fotos dela pela casa, o pai era sempre vago nas descrições de seu nascimento, ou nos primeiros anos de vida. O pai insistia que ela estava viva, mas parecia que ela havia nascido de um pacto com o próprio diabo.

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- Ana, precisamos conversar.
- Pai, eu sei que estou crescendo e-
- Eu vou te apresentar sua mãe.

O diafragma de Ana Letícia recuou subitamente com o golpe psicológico. Esperava várias coisas em sua cabeça: a madrasta fazendo um sermão sobre a importância do próprio corpo, ou fazendo chamegos de tia velha para a mais nova mocinha do mundo. Esperava o pai tendo um ataque nervoso ou tendo "a conversa" com a cara mais pamonhesca do estado de São Paulo. Mas, certamente, não esperava que fosse descobrir naquele dia a luz sobre um vale de omissão e incertezas.

Ele seguiu para a sala de casa onde, na mesinha de centro, havia uma pasta de arquivo com várias fotos, livros, discos e quinquilharias diversas.

- Sua mãe e eu nos conhecemos no terceiro ano da faculdade de Arquitetura. Ela estava entrando, e eu estava me preparando para sair. Sabe, na faculdade existem dois tipos de pessoas: as que são livres e as que não são. Ela era, eu não. Nós curtíamos pra caramba um ao outro e o clima da faculdade, só que ela mais ainda. Vinha de família crente, resolveu dar uma reviravolta na vida e saiu do casa-comida-roupa lavada. No curso, ela se tornou a estrelinha da tchurma. Quando estava apresentando meu trabalho final de graduação, ela apareceu na porta da sala com o teste de gravidez da farmácia na mão. Este aqui. Bom, depois da faculdade nós seguimos caminhos diferentes: ela foi tentar música, e virou cantora de música folk, MPB, essa porra toda. Eu resolvi ganhar dinheiro. Ela pensou em fazer um aborto. Eu quis que você existisse. Por isso nos separamos. No fim das contas, ela acabou optando por ter você. Mas eu fui na Justiça e consegui a guarda.
- Por quê? Por quê me tirou da minha mãe, resolveu bancar o pai herói? Não engulo.
- Você vai descobrir. Acho que está na hora de você conhecer o outro lado da família, afinal de contas. Talvez você entenda o meu lado, talvez entenda o dela. Só que tá na hora de você começar a crescer.

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Na semana seguinte, ela estava parada em uma esquina da Santa Cecília, no centro de São Paulo, com uma mochila de acampamento cheia de roupas, calcinhas, uma caixa de absorvente e R$ 250 costurados em um compartimento secreto. A cabeça, no entanto, trazia todo o caos de um universo paralelo de perguntas, dúvidas, raiva, amor e remorso de ter pensado em conhecer a mãe, depois de saber que ela, com certeza nenhuma, poderia ganhar o prêmio de Mãe do Ano.

O pai, ao seu lado, trazia uma expressão que oscilava entre o blasée e a completa fúria enquanto se preparava para apertar o interfone. Nas duas primeiras vezes que pressionou a campainha, o fez de uma maneira civilizada. "Aninha, vai ali na banca e me compra uma Veja, por favor?", disse o pai passando uma nota de dez - "aproveita e compra uns doces pra ti". Com a filha fora do alcance, ele pode afundar o dedo no botão do interfone, até que uma voz rouca atendeu do outro lado.

- Quié?
- Sua filha tá aqui.
- Jorge?
- Não, é o David Crosby.
- Não é uma boa hora-
- Acho que não é uma boa hora pra continuar pagando a pensão do seu divórcio.
- Que palhaçada é essa?
- Sua filha virou mocinha. E você PERDEU.
- Tá certo. Manda ela subir.

(Fim)

Crise de Consciência

Os editores de política apenas estão abrindo os olhos e tomando juízo do simples fato de que, à parte dos acordos de publicidade, os políticos brasileiros não são santos


O brasileiro gosta de usar a palavra "Crise". Seja na Economia, na Saúde Pública, no Esporte, no casamento. E principalmente na política: seguindo as fases da Lua, a opinião pública descobre o segredo de uma mágica da já conhecida "governabilidade" dentro do exercício do poder.
O Senado Brasileiro talvez seja a única instituição que segue fielmente os princípios de sua matriz genealógica: o Senado do Povo da Roma Antiga: conchavos, segredos e hipocrisia. E não é algo recente, um "mal da democracia moderna" - qualquer livro de História que aborde a política nacional poderá fornecer duas ou três histórias que fariam os Atos Secretos de José Sarney (PMDB-AP) um sonho depois de uma tarde de brincadeiras. Mas com a revelação das manobras extra-oficiais do gabinete do presidente do Senado Federal, a Mídia entrou novamente no modo "Crise", uma crise de moral e decoro.
Seguindo a crise no Senado, às portas da corrida eleitoral ao Planalto, a Crise do Senado chegou a outros lugares: Petrobrás, Polícia Federal e a base de sustentação ao governo Lula no Poder Legislativo. Coincidentemente, os três pontos principais da plataforma de apoio a Lula e seu(sua) candidato(a) à sucessão. E, obviamente, podemos contar com a 'imparcialidade' e a 'objetividade' dos grandes meios de comunicação, sempre tão desatrelados a interesses políticos como governadores de Estado, ministros, prefeitos e pré-candidatos à presidência.
Entretanto, a verdadeira crise que vemos hoje é uma crise de consciência. A opinião pública, a Grande Imprensa e os editores de política apenas estão abrindo os olhos e tomando juízo do simples fato de que, à parte dos acordos de publicidade, os políticos brasileiros não são santos - muito longe disso. Apenas descobriram que Sarney é Sarney das concessões e do curral eleitoral maranhense, que Collor é Collor da falta de decoro e das negociatas, que Agripino Maia é Agripino Maia do conservadorismo e fisiologismo típico dos senadores de centro-direita e que o presidente Lula é o Lula "o Cara" porque ele aprendeu durante vinte anos de bastidores de política e cinco campanhas à Presidência todos os atalhos, corredores e passagens escuras da política.
Todos estes personagens - de Aloízio Mercadante lavando as mãos da defesa do seu partido a Sarney no microblog Twitter para se desmentir horas mais tarde após uma "longa conversa" com o presidente - ao prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB) que foi cassado por um processo na Justiça Eleitoral depois de renegar o passado tucano - são o retrato de Dorian Gray do "exercicio da cidadania" do brasileiro. São a face oculta que, em um acesso de hipocrisia, é escarrada, acincalhada, discutida nas mesas de bar e, algum tempo depois, volta para o porão da memória onde esquecemos estes momentos dolorosos (como o escândalo das concessões de TV na década de 1970 e 1980, a violação do painel do Senado ou qualquer outra "crise" no arquivo-morto).
O brasileiro médio não tem uma "opinião pública", pois por opinião entende-se uma posição permanente acerca de um tema. Apenas pensamos que todo este carnaval (sempre às vésperas das eleições) acontece porque é um mal necessário, comparado à alternativa do bolivarismo demonizado pelos jornais, sem lutar pela famigerada reforma política, que acabaria com esta bela e macabra dança de CPI's e cadeiras. Viver no puxadinho é mais aconchegante e cômodo.

***

E quem tiver a chance passa no http://www.oesquema.com.br/mauhumor/wp-content/uploads/2009/08/prezanosenadoglobo.gif . Vale a pena.

Vamos lá.

Estava eu em uma mesa de bar em Jacareí, bebericando meu carbonado de cola quando discutia com dois bons companheiros a pauta da semana: Record X Globo, cobertura da crise de consciência do Senado, e a utilização da Academia para fins não tão coerentes com a cultura do Currículo Lattes e toda aquela porra. O cerne da questão era o infame estudo matemático que avalia as possibilidades de sobrevivencia da raça humana em um ataque de zumbis, considerando variáveis apresentadas no Cinema como velocidade de contágio, tempo de incubação, etc.

Pensei: "Isso é tão inútil quanto......". Aí comecei a pensar a possibilidade de um projeto acadêmico que teria jornalismo, ficção e puro sarro com a própria instituição universitária. Achariam que sou louco (mais ainda), achariam que é perda de tempo ou poderia até ganhar o Ignobel por isso. Algo que irritaria meu antigo professor dos tribades galantes e fanchonos militantes.

Pensando friamente, cheguei à conclusão que Comunicação Comparada é a matéria mais inútil do currículo unespiano, depois de Comunicação Rural (hoje extinta). Comparar meios de comunicação só serve para uma coisa na vida real: ver quantos anunciantes o outro lado tem, e quanto ele tá faturando. Estive nesse lugar, eu vi o filme: comprar jornais para saber quantas meias-páginas foram pro outro lado. Então, faríamos a Comunicação Comparada entre o supra-sumo do bizarro.

Então, seguindo o espírito fantástico, pensei nos dois jornais mais famosos do mundo: Planeta Diário (do Superman, oras) e o Clarim Diário (do Homem-Aranha). Afinal de contas, são dois personagens fictícios de grande carisma e reconhecimento junto ao público, independentemente da idade. E nos dois os traços se equiparam: salvam o mundo, mas ganham o sustento normalmente como membros da Imprensa, inclusive fazendo dela seu meio-de-vida no heroísmo. E como esses jornais encaram seus empregados com dupla jornada? Qual a imagem que passa ao público de pessoas que fazem o inesperado?

Muito além de Perry White e J.J. Jameson, existe o mundo real e os jornais, repórteres e editores que os inspiraram, obviamente: NY Times (Planeta) e NY Post (Clarim). Até que ponto a arte imita a vida e a vida imita a arte? Mas para poder medir forças, seria preciso um acontecimento cataclísmico. Estou em dúvida ainda se abordo o 11/9 (que tá chegando, meninos e meninas!) ou a campanha eleitoral americana (com o nascimento do Super Obama). Em ambos os casos, é um bom exercício de pensamento.

Talvez seja apenas desperdício de tempo e dinheiro, que poderiam estar sendo bem melhor aplicados em um curso de extensão na PUC, ou coisa parecida. Algum lugar que me mostre o mundo real do jornalismo. Mas esse mundo real eu já conheci, e da maneira mais infame: no microcosmo de um jornal de cidade de 80 mil habitantes, caso não bastasse o carnaval diário que se desenrola diante dos olhos da nação na hora do café-da-manhã, almoço e jantar. Em um mundo de manchetes e pautas de mentiras entre canais de TV e revistas da Imprensa Golpista Brasileira®, talvez analisar dois jornais que só existem na ficção seja a coisa mais sensata para não sentir asco e raiva dessa profissãozinha lazarenta.

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Pensamentos do Dia: O Grande Arquiteto

ROCKY! ROCKY! ROCKY!


Graças a um artigo enviado pelo bom amigo Guilherme Grunewald (do FIQUE LOUCO!, o único blog que eu conheço que foi citado no Digital Drops), estamos perto da superlotação da internet. Sim, é verdade. Está aqui, para quem quiser ver.

Resumo da ópera: atrás de nossos agá-te-te-pês da vida, existem doze números que são o verdadeiro espaço que temos no universo paralelo que é as internets. E em dois anos, mais ou menos, essa possibilidade matemática (de qualquer combinação de 12 números) será esgotada. Mais ou menos como os terrenos ao lado da Presidente Dutra, hoje coalhados de condomínios tecnológicos ou favelinhas mesmo.

E, no final da extensa matéria opinativa, há um recado, que eu me permito roubar: "Enxergo nesta transição uma excelente oportunidade para os profissionais de Informática, pois assim como foi no ano 2000, muita gente que sabia a linguagem de progamação COBOL ganhou bastante dinheiro para corrigir o bug do milênio. (....) Vamos aprender IPv6". Esta é a oportunidade que esperávamos, meus filhos e filhas.

Não será o Clube da Luta que irá nos redimir de nossa ressaca espiritural e nosso vazio existencial. Não será afundando nossa cara entre os seios do Meatloaf. Existem duas portas à nossa frente: Alfa e Ômega, começo e fim.

De um lado, o bem das Internets. Seremos os Grandes Arquitetos da Informação, seremos os deuses de nossa maçonaria nerd de Yotsuba. Porque será aprendendo essa porra de IPv6 que possibilitará fotos em CP, memes idiotas, e coisas inúteis como os Twitters de pessoas que postam sobre diarréia e sobre as filas de banco. E @dani_luxo.

Já no outro, um lado mais racional, o Richard Dawkins do mundo virtual. Nunca, na história da interweb, tivemos uma chance tão grande de acabarmos com besteiras como sites de fofocas de celebridades brasileiras, as choradeiras do Arnaldo Branco em 'revistas' de fundo de quintal contra o CQC e o resto do humor corporativo que deu certo (e que provavelmente deve desenhar melhor que o próprio), contas de Twitter de crianças idiotas, sites de venda de celulares xing-ling que prometem passar cafezinho nas horas vagas. Não vejo saída melhor para acabar com essa favelização da rede mundial de computadores que agora, nesse exato momento, esquecer de tudo que aconteceu e deixar esperar o mundo virtual entrar em entropia automaticamente. Sem caminhões com bombas de nitrato, sem aviões sequestrados, sem grandes esforços. Basta fazermos o que sabemos fazer de melhor: continuar estimulando a democratização digital.

Lembro de um tempo que a internet custava caro por hora. Muito mais do que uma miserável lan-house com seus teclados engordurados e sua predileção pelo Orkut e erros crassos de gramática. Lembro que, se alguém queria ser o verdadeiro mestre dessa birosca, tinha que varar a noite acordado à base de café para segurar a nega, porque senão no final do mês a fatura vinha e colocava na sua bunda. E nesse tempo, as nets tinham coisas boas para oferecer, para o bem e para o mal. Era a Idade Clássica do mundo virtual, com um único símbolo: o Chat da UOL não era coalhado de pessoas com nicks do estilo "HxH TopaTudo" - eram pessoas querendo conhecer pessoas para aprender, não para enfiar coisas no cu horas mais tarde.

Prometeu roubou o fogo dos deuses e deu aos homens. E nós criamos o Burning Man. A Internet está por um fio. E eu quero vê-la cair, com seus tweets, com egologs. Sempre que vejo um desses websites onde se aglutinam erros - como PGA ou GTO (para bom entendedor meia palavra basta) eu tenho mais a sensação que Morpheus apenas romanceou a coisa: não vivemos atrelados a uma realidade alternativa; vivemos atrelados a uma Vila Mimosa alternativa.

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Feliz dia do Mussum!